lunedì 21 marzo 2016

LEMA TRIENAL

Juntos   promovendo  a  dignidade  da  pessoa
Com  responsabilidade   e   compromisso

Sub-Lema  2016:

“Comprometendo-me  com  o  bem  comum,  transformo  o  mundo”

Tema: Desenvolver o compromisso no bem comum
ü Compromisso com uma solidariedade transformadora
ü Educar com uma visão de esperança
ü Trabalhar para humanizar a vida
ü Espiritualizar o nosso trabalho


DESENVOLVER O COMPROMISSO NO BEM COMUM
     
      A solidariedade não se possui, se irradia! Ela é geradora de dinamismos que por um lado transformam as pessoas e as comunidades e por outro lado a comunicam contagiando outras pessoas da mesma força solidária suscitando nelas o melhor de si. Assim como a luz não pode deixar de iluminar, a solidariedade não pode não se irradiar!
     
      Vivemos num espaço comum, a Terra, que é uma casa habitada por um número cada vez maior de seres humanos. Nesta casa comum devemos aprender a escutar-nos, a não lutar para apagar a luz do outro, mas pelo contrário iluminar-nos em conjunto. Devemos aprender a acender juntos o fogo que aqueça a humanidade e que arda para construirmos juntos espaços verdadeiramente humanos.
     
      A solidariedade tem que irradiar raios que apontem ao mesmo centro: o bem comum. Isso requer que a pessoa solidária saiba correr o risco de deixar as seguranças de um território conhecido, isso é: a sua realidade pessoal, para pôr-se em caminho com os outros em direção ao bem comum, tendo todos uma visão solidária, cada um a partir daquilo que é: a própria cultura, religião, maneira de ser.
     
      Desenvolver um compromisso pessoal a favor do bem comum implica superar os preconceitos, não julgar o outro com orgulho, saber discernir o que é bom, útil, saudável para o bem de todos, doar-se a si mesmo estando atento ás necessidades dos outros.
     




      Para isso é preciso em primeiro lugar tomar consciência de nós mesmos, tal como trabalhamos no primeiro sub-tema

“Cuidando do meu ser, reconheço  quem sou ”

saber quem e como somos (Autoconhecimento com Verdade), aceitar-nos a nós mesmos (Autoaceitação com Amor), tomar responsabilidade sobre os nossos pontos fracos (Responsabilidade na mudança pessoal) e comprometer-nos a amadurecer consolidando todas as dimensões do nosso ser (Consolidação da própria pessoa).
     
      Só desta maneira é que podemos doar as nossas vidas aos outros, tal como trabalhamos no segundo sub-tema

“Cuidando dos outros, reconheço o valor de cada um”

e assumir uma responsabilidade mais amplia, em prol da humanidade ou de um grupo alvo em particular, desenvolvendo a nossa capacidade de “Descobrir o valor do outro” e “Despertar a corresponsabilidade”. Poderemos então viver como pessoas solidárias que se dedicam a “Potenciar os recursos dos mais desfavorecidos” e “Criar autonomia e protagonismo nos mais excluídos” com uma visão comum do Bem.

      O “outro” nos salva de nós mesmos na medida em que nos comprometemos com ele/ela. O círculo do egocentrismo se quebra diante da irrupção em nossas vidas das necessidades dos outros. O outro já não será então uma ameaça para o “meu bem”, mas alguém que partilha as minhas mesmas necessidades de bem. Este reconhecimento do outro me permite superar o isolamento da minha pessoa fechada nas suas carências e desejos. A verdadeira felicidade chega só quando cuidamos dos outros.
     
      Chegar a reconhecer que o outro é o nosso próximo -mesmo se vive longe de nós- e que somos responsáveis os uns dos outros, implica um grande progresso na consciência humana. Pressupõe o respeito pela sua existência e põe limite á voracidade do egoísmo, permitindo-nos passar do “reino da necessidade” ao “reino da gratuidade” (dar e dar-se de maneira desinteressada, sem esperar nada em troca). Sem a solidariedade o ser humano não vive a sua dimensão interior, a sua dimensão espiritual.         
     
      Escrevia a poeta chilena Madeleine Roch:


Devemos sentir no coração uma força indomável,
Quando estamos convencidos do bem que fazemos.
Não compreendem o nosso ideal? Que importa!
Chovem as piadas cobardes e infamantes?
Coragem amigos! A luta nunca é demasiado forte,
O sonho nunca é demasiado grande!
                            
      A potência de um ideal é enorme! Nós somos os que temos a responsabilidade da escolha:

*      deixar que exista só como um pensamento elevado mas inoperante?
ou

*      desenvolver a  potência que esse ideal contem, transformando-o em acções concretas que cooperem no mundo para que todo ser humano ferido e empobrecido se levante e se torne por sua vez uma força transformadora no mundo?
     
      Esta é a escolha que determina o nosso compromisso ou não-compromisso para o bem comum!


COMPROMISSO COM UMA SOLIDARIEDADE TRANSFORMADORA
      A acção solidária é um serviço gratuito e desinteressado que nasce de uma tríplice conquista da cidadania:

- exercício da autonomia individual
- participação social
- solidariedade com os mais necessitados.

      Note-se bem que esta definição não fala de “heroicidade” e “altruísmo”, mas fundamenta a acção solidária na consciência e no facto de pôr em prática a cidadania responsável. Ser solidário então, é  a consequência de tomar a serio a condição de cidadão responsável e comprometido com a justiça.

      Podemos sublinhar três características desta “cidadania responsável”:

1.    Descobrir  a  nossa  diversidade

É necessário estarmos abertos a outras realidades sociais diferentes do grupo social ao qual pertencemos. Temos que sair do círculo reduzido dos nossos familiares e amigos, da nossa cidade ou bairro, do nosso nível social e cultural e atravessar as fronteiras sociais que nos dividem e separam. Ao fazê-lo, descobriremos a existência de vidas humanas que precisam e merecem ser consideradas. Não é possível ficar indiferentes diante da dor e da raiva produzidas pela exclusão. Neste contexto, surge a solidariedade que pode e deve ser fermento de uma acção social que não esqueça a justiça, a misericórdia, a generosidade e a gratuidade que só nascem do encontro nas relações humanas.

Isto inclui uma necessária abertura: conhecer e valorizar as maneiras diferentes de vida e deixar-se inquietar pela realidade com que nos deparamos.

O que faz com que o mundo seja dividido e com realidades tão diferentes? A diferença vem da possibilidade que uns e outros têm de aceder aos bens da terra e de utilizá-los e do respeito dos direitos de todo ser humano, independentemente da sua raça, língua, religião e situação social.

O desenvolvimento cria uma corrida para ter mais e ter poder, cultiva o individualismo -que é o oposto da solidariedade- em que cada um defende o que tem. No entanto para irradiar a solidariedade é preciso estar comprometido com a transformação do mundo e da sociedade, é preciso estar presente, atento e saber analisar a realidade sendo solidário num espírito fraterno. É preciso saber optar pelos seres humanos mais vulneráveis e excluídos de maneira universal, isso é pensando em todos. Para poder optar por todos, é preciso partir de baixo. O lugar mais universal é aquele que está mais embaixo, não o mais alto. Quando começarmos a subir, nos isolamos da realidade e aos poucos ficamos sós.

A obsessão por si mesmos cria in-solidariedade: cada um pensa só em si, nos seus direitos, e os outros vão depois. Isto faz com que a maneira de estar no mundo seja com uma atitude de exigência e sem gratuidade nem gratidão.






2.    Redefinir  o  bem  comum

O bem comum é aquilo que consideramos como o maior objectivo da convivência humana, é o ideal ao qual tendemos. Este ideal, porém, é inacessível e alheio a uma grande percentagem de pessoas no mundo.

Ser solidários significa gerar dinâmicas de inclusão que permitam que os excluídos participem do bem comum e desenvolver acções que favoreçam a reabilitação das pessoas, a assistência a coletivos que vivem em precariedade económica, etc. de maneira que seja reconhecida a sua dignidade e sejam incluídos no conjunto da sociedade. A pessoa solidária é capaz de ter a visão da uma sociedade melhor e lutar para que isso se torne realidade.

A cultura actual concede um valor inestimável á liberdade e á tolerância, porém o autêntico amor á liberdade tem que se demonstrar na defesa da liberdade dos outros e a verdadeira tolerância equivale a respeito e consideração. Não se trata apenas de aceitar os outros com as suas diferenças, mas de viver uma solidariedade dinâmica, um movimento espontâneo em direção aos outros para:
- Conhecer melhor os outros e também nós mesmos
- Partilhar com os outros
- Estender aos outros a mão da amizade e da compaixão (que significa “padecer com”, sofrer pelo sofrimento do outro)
- Fazer com que os valores universais que partilhamos se enriqueçam com os valores de outras culturas e outras pessoas.

3.    Promover  a  mudança  social

      A solidariedade ética não se limita a caminhar com os excluídos e empobrecidos, mas se compromete a lutar contra as causas da pobreza e exclusão. Não podemos ficar com os braços cruzados diante de tantos seres humanos sem recursos para poderem viver com autonomia e dignidade! Se nos sentirmos impotentes e tivermos a ideia que não podemos fazer nada, estamos errados. Todos podemos fazer muito, mas temos que começar por cada um de nós.
     
      A solidariedade não é apenas questão de colaborar economicamente ou oferecer o nosso tempo, mas de transformar a nossa própria sensibilidade, deixar-nos perturbar pela realidade dos que sofrem e a partir da nossa situação concreta, assumir um estilo de vida diferente onde predomine a sinceridade, a verdade, a justiça e todos aqueles valores que geram na humanidade dignidade e vida.

Comprometer-nos com uma solidariedade transformadora significa:
·         Estar presentes para transformar, aos poucos, a realidade para o melhor. A nossa sensibilidade se transforma de facto com a presença, estando em contacto com as pessoas, os que sofrem, os que vivem excluídos e empobrecidos.
·         Estar ao serviço. O serviço ao outro é o contrário do protagonismo, não é uma questão de generosidade mas de oportunidade. Estando presente na realidade, apercebo-me daquilo que acontece e me disponibilizo, me ponho ao serviço para abrir oportunidades que favoreçam que a pessoa supere a situação que a faz sofrer ou a sua pobreza.
·         Ser sinal que interpela, que testemunha justiça social e mostra caminhos de amor, esperança e irmandade que transformam o mundo.


A solidariedade não é um simples sentir superficial pelos sofrimentos das pessoas. Pelo contrário, a solidariedade é uma determinação firme e perseverante; é o empenho pessoal para o bem comum, isso é: para o bem de todos e de cada um, para que todos sejamos verdadeiramente responsáveis de tudo.    

Sub-lema 2016

O sabado 19 houve um encontro para refleitir sobre o sub-lema deste ano:


“Comprometendo-me com o bem comum, transformo o mundo” 

Depois da refleixão, de alguma dinamica, da interpretação do sub-lema, os/as colaborador@s escreveram seu manifesto de Um Outro Mundo Possível!
Refleitindo
Refleitindo

Confiando no outro

Confiando no outro

Confiando no outro



sabato 10 ottobre 2015

Luisa Coppola - Non sei mai sola / Never alone


Luisa Coppola

non sei mai sola / never alone
10.10.2015
Non sei mai “davvero” solo a Pemba, anche se sei l’unico volontario in casa. Perche’ nel cortile ci sono il cane Odi e il guardiano (a meno che il primo non riesca a scappare e farsi una corsa in spiaggia, e che il secondo non sia a fare una chiacchierata fuori dal cancello).
Perche’ anche quando chiudi la porta e vai a dormire, le finestre non le chiudi e quindi senti i rumori fuori. Che i vicini non hanno le pareti fatte di muro, quindi le loro conversazioni e litigate sono come una telenovela alla radio: ogni momento reality show.
E quando anche i vicini vanno a dormire, ci sono i grilli, i cani, i gatti. Poi dalle 3-4 di mattina cominciano la moschea, i galli, gli uccellini. E poi i vicini che spazzano il cortile, e senti questo schh schh schh continuo che ti sveglia. I lavoratori piu’ mattinieri, che vanno a pescare.
Poi esci dalla cuccia di lenzuola e zanzariera verso le 5, e cominci la giornata insieme al quartiere. Ti lavi (si fa per dire, visto che non c’e’ molta acqua), ti prepari la colazione. Riempi il tempo fino ad uscire di casa per andare al lavoro. Senti qualche venditore ambulante che gracchia una qualche parola sconosciuta, come fosse un disco incantato (chi vende pesce, chi verdura...).
Esci tirandoti dietro il cancello azzurro e ti immergi per le strade… ci sono pulcini galline capre tacchini che ti attraversano la strada, ognuno col proprio verso. Tantissime persone, dai piccolini che piangono o dormono o succhiano al seno, agli anziani che camminano con passo solenne per i viottoli, curvati dagli anni e dalle prove, ricchi di rughe e di acciacchi.
Tanti richiamano la tua attenzione chiamandoti in macua (Salama!), o in portoghese (Bom dia) o in inglese (quelli li ignoro per principio). Le moto e le auto, che quasi quasi le senti prima ancora di vederle, immerse nel polverone enorme e nel fumo di scappamento che loro stesse creano passando per le strade sterrate. Arrivi al lavoro in un bagno di sudore-crema solare-terra, con rivoletti che ti scendono da tutte le parti, manco fossero le cascate del Niagara (adesso che rientro ammiro la mia pelle levigata, per forza ho fatto tutti i giorni il peeling), e per il fatto stesso che lavori con bambini, di silenzio non se ne parla proprio =). E qui la gente non sa cosa sia il rispetto della distanza fisica, quindi quando si siedono vicini, hai contatto almeno con le ginocchia o il gomito, e la vicinanza fisica accorcia le distanze di cultura, educazione, religione.
Al rientro le strade si animano di adulti che iniziano a godersi la serata con un po’ di musica (faccio un pasto si e uno no, ma l’amplificatore mi serve), una birra o un bicchierino di acquavite fatta in casa.
Riapri il cancello, quel rumore familiare che annuncia a chi e’ dentro in cortile «eccomi qui», e saluti, mentre il cane abbaia e quasi non senti la risposta del guardiano. E poi entri in casa, bevi, ti lavi, ti prepari la cena, e metti a posto o scrivi o leggi prima di andare a dormire.
Non vuoi stare solo, e quindi anche il sabato e la domenica fai un saltino al Lar, per riempirti la giornata e le orecchie di urla e litigi infantili “Mana Luisa, mi ha provocato lui, non ho cominciato io” o “ho i compiti da fare, Mana, mi aiuti vero?”.
Scopri che non sei solo ne’ sconosciuto, perche’ quando cammini prima o poi incontri un bambino dei centri o un dipendente, che ti saluta e scambia con te 2 frasi. O ti si affianca un bambino o un adulto, per parlarti, prenderti per mano e poter dire “ehi mi ha dato la mano quella cunha”.
E quando ti sale la sensazione di stanchezza, di solitudine, del “perche’ ho deciso di venire in questo posto, sporco, senza acqua, pieno di ingiustizie, mi sembra di non riuscire a migliorare niente”... mandi un what’s up o lo ricevi (la prossima volta che mi lamento della tecnologia...), o senti la voce della mamma (“la mamma e’ sempre la mamma”, quella telefonata serale di meno di 2 minuti, il cordone ombelicale tra te e al mondo cosiddetto civilizzato da cui vieni) o di tuo fratello. O scrivi un’email raccontando e raccontandoti, curiosa di leggere le risposte che arriveranno, chissa’ da chi. O ti regali una doccia alla SPA dell’hotel storico di Pemba (la cosa piu’ importante e’ la doccia, ma per farla devi pagare un trattamento, e gia’ che l’hai pagato magari te lo fai fare il massaggio...). Che e’ distante 15 minuti a piedi. E quei 15 minuti al ritorno bastano per ricoprirti di sudore e polvere, che saresti pronto per fare un’altra doccia. E quando arrivi a casa ti senti in colpa per la tua debolezza, neanche 4 settimane riesci a stare senza doccia? Che capitale hai speso (rispetto allo stipendio di un locale), per farti quella doccia e sentirti cosi’ bene e a tuo agio?
Non ti senti piu’ solo, neppure quando sei li a lottare contro i mulini a vento di sfruttamento minorile (“vai a prendere questo”, “porta quest’altro” durante l’orario di lezione), di bugie lampanti (“come mai sei arrivato in ritardo” “eh sai mancava acqua a casa” “si, lo so, manca da piu’ di un anno ormai”), di fame congenita (“cosa ci hai portato per la merenda oggi?” o “sai che a me piacciono le banane?” o “hai 5 meticais per comprare il pane?”), di ignoranza stupefacente (un educatore che ti dice “ho visto alla tv un maiale che parlava... ma ci sono maiali che parlano?” “no, gli animali non parlano ne’ in Mozambico ne’ altrove, era doppiato” “doppiato-che?”).
Anche quando non sai a chi gridare la tua rabbia, perche’ una ragazzina con problemi mentali che veniva tutti i giorni al Lar l’anno scorso, adesso e’ incinta. E non sa dire come e’ successo, e’ chiaro che deve essere stato un conoscente. Come potete rubare l’innocenza ad un innocente? E la famiglia si vergogna, quindi per mesi non la lascia piu’ andare all’orfanotrofio, dove stava in compagnia dei bambini, mangiava, magari giocava pure. Finalmente si ottiene il dialogo con la mamma, e Manaueto viene portata a fare una ecografia (un maschietto, che nascera’ fra 3 mesi), e riprende il suo tran tran al Lar.
Non sei solo nel sogno di questa Pemba, una parentesi di vita cosi’ intensa e cosi’ breve, se la condividi con Stefania e Estrella, con gli educatori (nella foto vedete Mauna), con Laura e Teresa (che se hai bisogno di loro, le puoi chiamare in ogni momento), con le persone cui scrivi e pensi nell’arco della giornata.
E quando parti, non lasci Pemba da sola se dietro di te hai seminato qualche piccolo seme di sorrisi, speranza, amore, conoscenza, aiuto economico.
Grazie a tutti per il vostro aiuto e il vostro sostegno. Non ce l’avrei fatta da sola.

You are never really alone in Pemba, even if you are the only volunteer staying at the volunteer house. Because there are the dog Odi and the guard out in the yard (unless the former manages to escape and runs to the beach, or the latter goes for a chit chat out on the street).
Because even when you shut the door and go to bed, you don’t close the windows, so you can hear the sounds outside. The neighbors don’t have walls made of bricks, so you hear every conversation and fight as if it were a reality show broadcasted on the radio.
And when the neighbors finally go to sleep, there are crickets, dogs, cats. And starting from 3-4 am you get the mosque, the cocks, the birds. And the neighbors sweeping the grounds, that shhh shhh sound that wakes you up. The first workers walking down the street towards the boats, for going out fishing.
You get out of your bed sheet and mosquito net, and start the day together with the neighbors. You wash yourself (more or less, since there isn’t much water), you prepare your breakfast and fill up the morning till it’s time to go to work. You hear some door to door salesmen, screaming unintelligible words over and over, as if it were a disk that got jammed (selling fish or vegetables).
You get out and close that blue main gate, and jump into the lively streets… with chickens, goats, turkeys that cross your way all the time saying God knows what to each other. So many people, from the babies screaming or sleeping or breast feeding, to the elderly people, walking solemnly down the paths, curved by the years and the challenges, rich of wrinkles and pains.
So many call after you in macua (Salama) or Portuguese (Bom dia) or English (I usually ignore these as a matter of principle). Cars and motorbikes, that usually make themselves be heard before being seen, since they create such a fog of dust and smoke when arriving. You get to work all wet of perspiration, sun block and dust, you feel like you were the Niagara Falls (now that I come back, I have such silky skin, I recommend Pemba as daily peeling treatment). Since you work with kids, there is no chance to have some silence during the day. Plus, here people don’t know anything about the physical distance, when they sit down they touch you at least with a knee or an elbow. In such a way, the physical closeness creates a bridge for the cultural, educational and religious distance.
On the way back the streets are full of adults enjoying the end of the working day, listening to some music (I might skip every other meal, but I have a pretty loud speaker at home), a beer or a home-made grappa.
You open again the gate to your house, that familiar noise announcing that someone is approaching, and say hi, while the dog barks so loud that you barely hear the answer of the guard. Then you enter the house, drink some water, clean yourself, get dinner and put in order or read or write before going to bed.
You don’t want to feel lonely, so you go pay a visit to the orphanage also on Saturday and Sunday, so that your day and your ears are filled with the screams and childish fights “it was not me starting, Mana Luisa, he provoked me first” or “I have some homework, will you help me Mana?”
You figure out you are neither alone nor a stranger, because when you walk around sooner or later you meet a kid or a worker of the centers, who greets you and talks to you for a bit. Or someone decides to walk you till the next corner, talk to you and hold your hand “did you see? I held hands with that cunha!”.
And when you start feeling tired, or lonely, and you hear yourself saying “why did I decide to come to this dirty place, no water, so many cases of injustice, I can’t really see how to help and improve the situation”… you send or get a what’s up (next time I complain about technology…) or call mum or get to talk with a sibling (even just a 2 minute talk, and you get connected to your world, that so called civilized world you come from). Or you write an email about what’s going on and you look forward to the answers, who knows who writes back. Or you give yourself a present, a shower at the SPA of the historical hotel in Pemba (the main target is showering, but in order to enter the facility you need to pay for a treatment, and since you paid for it you might as well get the massage done…). Which is 15 minutes walking distance. And the way back is then long enough to get you sweaty and dirty with sand, so by the time you get home you would need another shower. And when you are back home you realize you are such a sissy, if you can’t stay without these comfort for 4 weeks of your life, and you feel a bit ashamed of the immense amount of money that means to a local. But it’s done and you feel sooo good after it…
You don’t feel lonely anymore, even when you feel like you’re crashing against a wall of children use (“go get this”, “carry that” during the teaching time), or clear lies (“how comes you arrived late” “oh you know, we didn’t have water at home”, “yeah, I know, it’s been missing for a year now…”) or hopeless hunger (“what are you bringing us for break?”, “did I ever tell you I like bananas?”, “do you have 5 meticais for buying me a bread roll?”) or stunning ignorance (a teacher telling you “I watched the tv, there was a pig talking, can some pigs talk?” “no, animals don’t talk, neither in Mozambique nor in other countries, it was dubbed” “dub-what?”)
Even when you can’t scream to anyone your anger, because a girl with mental deficiency who used to come last year every day to the orphanage, is pregnant. And she can’t say how it happened, it’s clear someone she knows is responsible for it. How can you steal innocence from an innocent? And the family feels ashamed, so the girl for months is not allowed to go to the orphanage, where she used to enjoy the company of other kids, get some food, play. Finally they manage to talk with her mum, and Manaueto gets an ultrasound (a baby boy, about 6 months already), and she comes back to the Lar.
You are not alone in the dream of Pemba, such an intense and so short period of life, if you share it with Stefania and Estrella, with the teachers (in the picture you see Mauna), with Laura and Teresa (because if you need them, you can call them 24/7), with the people you write to and you think about during your day.
And when you leave, you don’t leave Pemba alone, if behind you, you dropped some seeds of hope, love, knowledge, financial support.
Thank you for listening, thinking supporting me and this adventure, your help and support were really felt. I couldn’t have done it without you.

venerdì 25 settembre 2015

Luisa Coppola - Servido


Luisa Coppola

servido
25.09.2015
Giovedi 24 settembre
Ogni cultura ha luci e ombre. Ma le noti soltanto se puoi fare il confronto con altre culture. Allora vorrei mostrarvi un’ombra della nostra cultura, che invece nella cultura africana e’ sostituita da una luce meravigliosa di solidarieta’.
Pensiamo a come mangiamo noi. Abbiamo le nostre posate e i nostri piatti puliti, le salviette, i tovaglioli. Il nostro tavolo di cucina. E prendiamo dal piatto di portata o dalla pentola la nostra porzione, tanto ce n’e’ sempre abbastanza per tutti. O ci compriamo qualcosa al chiosco, al supermercato, al panificio e lo mangiamo per la via camminando, guidando...
Qui non mi e’ capitato praticamente mai di vedere la gente camminare e bere o camminare e mangiare. Forse perche’ bevono molta poca acqua (da generazioni il loro corpo e’ abituato alla carenza di liquidi), e hanno poco da mangiare? O forse perche’ quando mangiano, danno un valore a quel momento della giornata, e si fermano. Magari si siedono per terra o su un gradino, e assaporano i bocconi di cibo. (Foto in allegato)
Al Lar e al centro mangio insieme agli educatori e ai bambini. E quando arrivo non sono mai la prima a cominciare a mangiare. C’e’ chi mangia con il cucchiaio e chi con la mano destra. Per questo ci si munisce di un bicchiere di plastica pieno di acqua: per prima cosa «rilavano» la mano con cui mangiano. E il resto di acqua si beve durante il pasto o si usa per lavarsi la mano alla fine e per sciacquare il piatto dai resti.
Quando tutti i bambini sono seduti, si canta una canzone di buon appetito e poi si puo’ cominciare a mangiare. Chi assaggia e non aspetta gli altri si prende una sgridata. La stessa cosa per chi esce dal refettorio con il cibo in mano. Non si fa, e’ maleducazione. (pero’ i bambini adorano farlo, camminare per la stradad e ostentare che hanno un panino tutto loro).
Mentre passo vicino ai tavoli dei commensali, chi ha gia’ il piatto davanti e sta mangiando mi dice “servido, Mana”. Che significa “ho del cibo sul piatto, come mi servo io puoi servirti anche tu, condividiamo”. La risposta e’ ovviamente “no grazie”, perche’ la cuoca ha preparato un piatto per tutti, anche per me. Allora prendo il mio piatto, mi siedo e dico “buon appetito”.
Alla persona che arriva a mangiare dopo di me, dico anche io “servido”, e quella persona ringrazia e prende il proprio piatto. Un pro forma, direte voi. Si, per noi che al Lar abbiamo tutti un piatto pieno e’ vero.
L’altro giorno Mano Sargento si era portato una polenta di manioca, perche’ non gli piace la pasta e voleva mangiare qualcosa di piu’ buono. Gente, sono italiana, ma anche a me la pasta qui fa passare la fame. E si che io mangio tutto (Silvia, tu lo sai...). Ma la pasta tutta rotta e stracotta, la prima volta ok, la seconda mmm, la terza volta nella stessa settimana... mi sono chiesta perche’ non ero andata a casa a mangiare da sola. Poi mi sono detta “la compagnia di queste persone vale questo polpettone di pasta”.
Tornando a Sargento. Si siede a tavola, spiega che non gli piace la pasta, apre il tupperware con la polenta dentro, e dice “servido”. Mi propone di assaggiare, sono l’ospite dopotutto, quindi a me l’onore di iniziare, e gli dico “no grazie sto gia mangiando la mia pasta con pollo”. Ma gli altri al tavolo degli insegnanti accettano, e si servono. Penso che sia considerata una cosa molto buona. O forse e’ semplicemente una cosa diversa dal menu settimanale del Lar ;). Fatto sta che Sargento aveva portato piu’ di una porzione e ha condiviso con gli altri la sua leccornia.
E io europea mi chiedo quanto spesso prima di dare un morso alla mia brioche, o mangiare il mio pacchetto di cracker, chiedo a chi mi sta di fronte se ha voglia di assaggiare. Garantisco che a volte lo evito di proposito. Perche’ ho fame (ma si chiama davvero fame la mia, in paragone a loro?), o perche’ quello che ho preso mi piace molto e non mi interessa condividerlo.
Stefan una volta mi ha detto che “a mangiare da soli si ingrassa”, per dire che quando mangiamo insieme agli altri e’ tutta un’altra cosa, la condivisione da’ un sapore speciale al cibo, tanto che mangiamo meno ma ce lo gustiamo di piu’. Ecco qui non sempre c’e’ abbastanza per tutti, ma non e’ concepito di non condividere. Dove mangia uno possono mangiare molti. Si mangia dallo stesso piatto, si rompe il panino in vari bocconi, o si spezza il biscotto, la canna da zucchero, si morde dallo stesso frutto. A chi ti chiede di assaggiare puoi dire di no, ma e’ un segno di grande maleducazione, e anche il bambino piu’ dispettoso qui finisce per cedere e dividere e condividere.
E quante volte a casa o in mensa ci sediamo e cominciamo a mangiare prima che il resto della famiglia o il resto del gruppo sia arrivato a sedersi? “eh ma si raffredda, e’ un peccato”. A volte e’ vero, a volte stiamo semplicemente comportandoci da egoisti ;)
E per chiudere in gloria questa email sulla cultura del cibo, vi riporto cosa ho imparato oggi dai bambini: la ricetta di come cucinare la pasta. Si, perche’ oggi al centro ricreativo ognuno portava una ricetta che sapeva cucinare da solo, e la presentava con tanto di consegna e condivisione del risultato. In allegato vedete il risultato del tupperware party.
Prendi il carbone e lo metti sul focolare (e gia’ qui vi ho spiazzato, perche’ sfido tutti ad avere un focolare per cucinare con il carbone). Poi lavi la pentola e la metti sul fuoco. Ci fai bollire l’acqua, metti pasta cipolla, sugo di pomodoro olio (che qui di solito e’ di arachide, visto che le producono) e sale. Non chiedetermi in che ordine, a seconda del bambino c’erano variazioni sul tema. Ora il segreto mozambicano: quando l’acqua e’ evaporata tutta... la pasta e’ pronta!!! Sara’ per questo che la pasta mi sembra sempre scotta? Ma guardiamo l’aspetto positivo: cosi’ non servono 2 pentole e soprattutto non si spreca acqua ;)
Buon appetito, a voi che state mangiando pasta di grano duro, cotta al dente, e magari condita con olio extravergine di oliva...

Thursday 24 September
Every culture has appreciable aspects as well as criticable ones, lights and shadows. And you can only notice them if you get to know other cultures. I would like to point to a shadow of our culture, that is a brightness in the African culture. So bright, above all if we consider how they live.
Let’s think how we eat. We have our silverware, our napkins, our clean pottery. Our kitchen table. And we take our portion of food from the pot without worries, because there’s always enough for everybody. Sometimes we buy a snack from the kiosk, or at the supermarket, at the bakery, and we eat while walking or driving.
Here I never managed to see someone walking and at the same time drinking or eating. Maybe because they drink very little quantities (since generations they’ve been used to the lack of water), and they don’t have much to eat? Or maybe because when they eat, that is an important moment and they want to cherish and enjoy it. You see them sitting on the ground and eating with their hand or with a spoon. (Picture attached)
At the Lar I eat with the employees and the kids. When I enter the area where we eat, I am never the first one. There are some who like to eat with the spoon. Other ones eat with their right hand. Because of this you need the plastic cup filled with water: first thing you wash again that hand. The rest of the water will be used for drinking and at the end of the meal to wash your hand and rinse the plate from the grease.
Only once all the kids are sitting, they can sing a song to wish a good meal and start eating. No one is allowed to start eating before. If you do it, you get told off. Same with leaving with food in your hand. No go. (But kids love to leave with their bread, to show off on the street that they have their own bread).
So when you enter and walk by, those who already have a plate say “servido, Mana” (=served). Which basically means “my plate is here, I am serving myself but you are welcome to serve yourself as well, let’s share”. The answer is of course “no thank you”, because the chef prepared for each of us a portion. Then I take my plate and I sit down and say “enjoy your meal”.
To the person who comes after me, I also say “servido”, and he/she thanks and take his/her own plate. A formality, this “servido”, you might argue. Yes, because at the Lar we have a portion each.
On Tuesday Mano Sargento took to the table a Tupperware with polenta made with manioca, explaining he doesn’t like pasta and therefore brought something else. I tell you, I am Italian and I don’t consider myself as picky person , but I must admit, after 2 weeks I can’t take this pasta anymore. The first time is ok, the second time you swallow it, the third time in the same week you think “why did I say I’d eat here with them, instead of going home for lunch?”. The answer is clear: eating in company is priceless, no matter how good a cook I am ;)
So, back to Sargento. He opened the Tupperware and said “servido”. He offers me to try first (I am the guest after all), and I say “no thank you, I am eating pasta with chicken”. The other ones at the table of the teachers accept and take a bit. Apparently it’s quite tasty. Anyways, it’s something different from the weekly menu of the Lar, which repeats itself week after week and year after year. Sargento brought more than just his portion and shared with the other teachers.
And I am an European, how often do I get a gipfeli, a snack and first of all offer to share it? I tell you, sometimes I avoid to offer it on purpose. Because I am hungry (is that hunger, what I feel? Compared to what happens here… I have doubts), or because I like it a lot and I don’t “need” to share it.
Stefan once told me “if you eat alone you get fat”, to mean that when we eat together with other people, we enjoy our time, share the food and eat less in the end, simply because it ends up being tastier. Here in Africa it’s often the case that there is not enough food for everybody, but it’s a no-go to avoid sharing. Where one eats, more than one can eat. They eat from the same plate, they break with their hands a bread roll, or a cookie, or a sugar cane, they bite from the same fruit. If someone asks you to try, you can say no, but you are being so impolite that even the nastiest kid will give up and share.
And how often we sit down at home, or in the canteen and start eating before the other ones of the family or the group join? “it gets cold otherwise”, yes, sometimes it’s true, but sometimes we are simply being selfish ;)
And to close this email about food culture, I share with you what I learned today from the kids: the recipe of how to cook pasta. Yes, because today the kids were supposed to bring to the afterschool center a recipe they could prepare on their own, present it including showing the result in a Tupperware. At the end sharing of the content with the rest of the class. In attachment you see the result of the Tupperware party.
So, the recipe. Go get coal and put it in the fire place (ah, I want to see how many of you can repeat the recipe 1 to 1, now!!! I am mean, I know). Then you wash the pot and put it on the fire. Fill with water and get it boiling. Then add cut onion, tomato paste, oil (here usually peanut oil, since they produce peanuts in the area) pasta and salt. Don’t ask me in which order you put the ingredients, each kid made a different description. Now, the real Mozambican trick: when the water evaporated completely… pasta is ready to be served!!! Can it be because of this, that I never manage to eat it al dente? Oh well, let’s look at the positive aspect: you only need one pot instead of 2, and you save water.
Enjoy your meal, over there, where you can buy your favorite brand of pasta, cook it al dente, and maybe pick up a fancy virgin olive oil for the sauce…

mercoledì 17 giugno 2015

Centro "Jovens de Esperança"

Este año 2015 inauguramos el centro "Jovens de Esperança":

Los Jovens de Esperança empezaron a moverse en el año 2013 con la casa- residencia femenina de niñas adolescentes con el fin de que continúen sus estudios y así evitar matrimonios y embarazos precoces. Este año, Maissa y Muatassia están en la casa y colaboran remuneradamente realizando un trabajo de apoyo a educadores en el centro Recreativo Okhaviherana.

En 2013 también se iniciaron encuentros semanales, los sábados, con los adolescentes a partir de 16 años, alumnos del Lar da Esperança, centro Recreativo y centro Talita Kum, con el fin de que tuvieran un espacio de reflexión propio de jóvenes.
Al final del año pasado, y viendo el potencial del grupo Jovens de Esperança y a la vez tan amenazado por las problemáticas de adolescencia en Pemba (alcoholismo, embarazos, desistencia escolar,etc) creímos que era el momento para dar un paso más…

Así, este año 2015 se inauguró el centro Jovens de Esperança con más de 40 matriculados/as, físicamente localizado en las instalaciones del centro ya conocido como Talita Kum (barrio de la Expansão).
Los jóvenes tienen dos turnos, de 7h-11h y de 13h-17h, al que asisten dependiendo del turno de su escuela. En ese tiempo realizan actividades de refuerzo escolar, formación humana, manualidades y artes y formación profesional con Carpintería, Informática y Corte y Costura.

Estos/as Jovens de Esperança tienen en común el haber crecido estando en otro de los centros de la fundación y actualmente estar estudiando la educación secundaria (a partir de 8ª clase).

Es bonito ver a 40 adolescentes que se juntan para seguir creciendo sonriendo a la esperanza. Y empezar a ver los frutos de esas semillitas que hace años crecían y hoy, ya grandes, se ve el gran potencial y el futuro en sus manos, un futuro lleno de esperanza, esa esperanza que necesita Mozambique.






Con Sufo y Helena, quienes hacen posible este centro y acompañan día a día a los/as jóvenes



Daniela Gioè

Esperienza a Pemba di Daniela Gioé "L'esperienza a Pemba è stata unica e indelebile nella mente e nel cuore. Risale a luglio de...